domingo, 18 de julho de 2010

Invisível.


Ela veio andando, observando os arranha-céus. Tudo tão bonito, tudo tão perfeito. Num dos pontos mais nobres da cidade a sua presença era quase imperceptível. Tão nova e tão adulta. Sabia o quanto custava cada lixeira daquele lugar. Viu uma vitrine que reluzia, enfeites glamourosos e chamativos. Foi até ela, parou e começou a olhar. Sentiu o olhar penetrante das madames que estavam lá. Não se intimidou, só conseguia pensar em quantos animais haviam sido mortos para constituir cada casaco daquele. O preço de cada um? Ah, era um valor com o qual não acreditava obter nem trabalhando a vida inteira. Não era esse o seu destino, emprega doméstica? Era isso que todas as meninas do morro esperavam, não tinham outra opção. Absorta em seus pensamentos, esqueceu-se de ouvir o mundo lá fora. Percebeu um assobio, algo que não sabia discernir do que era. Olhou para o lado e conseguiu perceber que a vendedora a expulsava de lá, com toda a sua impáfia, arrogância e prepotência. Sentiu o amargo da humilhação em sua boca. Sentiu no ar o cheiro do desprezo com o qual era tratada. Mas ela sabia, ah como sabia...Que o valor que se tem não está no que se veste e sim no que se é. Com os olhos marejados, lutava para não chorar. Dignidade não se compra e pela dela ninguém ia pagar. Caminhava pela calçada com os olhos baixos, rumo ao chão, e percebia refletido naquele cimento limpo uma realidade fria, distante e cruel.

4 comentários:

Natália disse...

Nossa Sillll!!
que triste essee..
quase chorei..
relato com uma riqueza de detalhes q parece ate q foi com voce!
Lindissiimooo!!
Amoooooo!!
=**

@KIBE disse...

bem triste em...
estou te seguindo me segue tbm
http://wwwalessandroluis.blogspot.com

luizah_ disse...

o sistema distrói esse mundo que chamamos de nosso! ;x

Nathália Duarte disse...

Uau!

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